Ainda que sobrevivamos aos casos
e acasos, não aprendemos com eles. Acho que talvez estejamos presos a um
inconsciente coletivo, a uma falsa ilusão de que o amor existe. E eis que paira
sobre mim uma questão: O amor realmente existe? Talvez não exista palavra mais
idealizadora que essa. Amor pra mim é divino e os homens seres incapazes de
suportar tamanha força. Não damos conta do amor, mas até que poderíamos se
todos os namoros vivessem congelados no seu primeiro ano de vida. Toda a idealização
do amor está ali: aquela doçura de quem se ama, a compreensão, os afagos e o
sexo latente que não sobrevive, mesmo que tentemos, ao poder corrosivo do
tempo. E quem diz que ama da mesma maneira que há uma década atrás está
mentindo. Hoje minha mãe me diz que se vivesse no meu tempo jamais casaria. De
certo modo até que a entendo, mas a verdade é que somos solitários e que a angústia
da existência nos impulsiona a procurar algum tipo de consolo. Estamos longe do
autocontrole, da auto-suficiência e mesmo quem se diga resistente ao amor, uma
ora ou outra acaba perdendo a batalha. Confesso que merecem aplausos os infiéis
ou quem ama mais de um. Talvez essa seja uma solução para fugir do amor romântico.
E quem não tem o dom de se render aos relacionamentos modernos, acaba por ruir
aos poucos nessa velha e amarga novela. A modernidade pode ser uma arma a nosso
favor. Já não se vê com maus olhos quem troca de parceiro a cada estação e nem
quem trata uma fossa com transas casuais. Hesito um pouco em falar que cada um
tem o seu jeito de amar, pois já vi muitos casos em que os mais insensíveis dos
seres se transformam em mocinhas dos romances de jornaleiro. Há quem diga que o
amor é uma criação do homem assim como a fé, e por silogismo amar é ter fé. É
acreditar que mesmo com as diferenças, com as brigas e o rancor, no fim vai
valer a pena, mas o problema é que a modernidade é cética. Não acreditamos mais
nos outros depois de algumas desilusões e não nos deixamos mais abertos com
medo de sermos destroçados novamente. Uma opção seria tratar o amor como uma
religião. Cultivar o amor, ser fiel ao amor, praticá-lo e senti-lo sem medo. Apenas por acreditar que aquilo pode dar certo se os dois quiserem, mas sem
cobranças. E guardar quaisquer que sejam as questões sem desistir que a vida
nos dê uma resposta. Porque de uma maneira ou de outra, ela sempre dá.
Caco Garcia.
http://umolhofechadoeooutroaberto.blogspot.com/
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